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Apr 29, 2004
OS SONS QUE INVADEM AS TELAS

Os sons que invadem as telas...

 

Como já vimos anteriormente, os sons produzidos pelos animais tem várias funções. Podem servir para atrair as fêmeas, assustar predadores e até como inspiração para a música! Porém, eles também podem exercer outras funções muito úteis a nós e nos lugares que menos imaginamos.

Todos nós assistimos a filmes. A experiência não nos permite apenas acompanhar uma história como faz com que entremos nesse mundo novo que está na tela, em que a ficção se transforma em realidade, e o impossível também se torna possível. Porém, esse mundo não se resume apenas a imagens. São imagens e sons que, assim como no mundo real, transmitem os sentimentos e emoções da ação.

Muitas vezes, os sons que ouvimos nos filmes ou na televisão são criados em estúdio, porém, também podem ser reproduções de diferentes sons já existentes na natureza que são captados e inseridos em um contexto completamente diferente do original. Isso é feito através de técnicas de sonoplastia usadas em todo o mundo, para entendê-las é necessário que, antes de qualquer coisa, sejam apresentados alguns conceitos e técnicas básicas que fazem parte do vocabulário de qualquer sonoplasta!

·                Edição de som – é o processo pelo qual o editor de som insere os sons às imagens, que vão desde diálogos a efeitos sonoros de acordo com a necessidade específica de cada cena, para torná-la mais realista ou fantasiosa, dependendo do caso.

·                Design de som – é o processo pelo qual o designer se responsabiliza por “ocupar” com som o ambiente da cena, assim como um designer de interiores ocupa um quarto com móveis. Às vezes a sua função é a de criar sons inexistentes.

·                Foley – Como durante a gravação das cenas é dada maior ênfase aos diálogos, às vezes não são captados todos os sons normais do ambiente, como portas batendo ou passos. O dever de um artista de Foley (sonoplasta) é recriar esses sons em estúdio e introduzi-los à cena. Essa técnica foi criada no ano de 1930 por um homem chamado Jack Foley.

·                ADR – Automated Diolague Replacement (Reposição automática de diálogo). Quando os diálogos entre os atores principais ou figurantes não é bem captado, é necessário que as falas sejam regravadas e reinseridas na cena, por isso a técnica é chamada de ADR.

As técnicas de sonoplastia foram usadas pela primeira vez no filme King Kong no ano de 1933, pois anteriormente os efeitos sonoros eram feitos simultaneamente com as cenas sendo gravadas em estúdio. Nesse filme, os sonoplastas captaram sons externos e começaram a “brincar” com as tonalidades e a velocidade daquilo que ouviam, dessa forma, para criar o som do próprio King Kong, foram usados um rugido de tigre, cujo som foi abaixado em uma oitava e gravado ao contrário, enquanto era associado ao rugido normal de um leão, criando um som grave e lento.


        

              O temível King Kong em uma das cenas mais famosas do filme

Hoje em dia podemos ver isso com muita freqüência, aqui vão alguns exemplos de filmes famosos e de como os sons que ouvimos foram produzidos.


Jurassic Park I


A equipe de sonoplastia do filme começou a trabalhar antes das filmagens do filme, procurando gravar todos os tipos de sons de animais que encontrassem. Os sons que gostavam eles gravavam no computador e os manipulava. O som do Dilofossauro foi feito com canto de cisne, quando não em ataque, e gavião, cascavel e macaco berrando quando em ataque. O Raptor foi feito juntando dois animais marinhos inofensivos: um golfinho sob a água e uma morsa. Resultando, assim, em um animal grande e assustador. O rugido do Tiranossauro foi feito pela combinação de um leão, de um tigre e de um pequeno elefante. O interessante é que o som que mais destaca no rugido do T-Rex é o do elefantinho que teve de ser alterado, com uma oitava abaixo. O ruído do Tiranossauro destroçando o Galimus, na verdade era o do cachorro do designer de som Gary Rydstrom brincando com uma corda, só que uma oitava abaixo. Para o Braquiossauro, foram combinados os sons de: um burro (com uma oitava abaixo) e em algumas cenas, de baleias (com uma oitava abaixo).

 

Jumanji


Para criar o som do estouro de animais pela biblioteca, o designer de som assistente associou o som de uma cachoeira, de uma manada, gritos de elefante e o som do impacto de uma bola de boliche em um chão de madeira para representar os passos dos animais. O produtor Randy Tom e seu filho de oito anos, Austin, fizeram as vocalizações dos macacos.

 

Twister


A partir de relatos de vítimas de tornados reais, os designers de som gravaram cerca de 800 sons diferentes e combinaram-nos para a elaboração do ruído de cada tornado. Os sons variavam desde motores a jato, até porcos guinchando e leões rugindo.

 

Jurassic Park III


Assim como no primeiro filme, a equipe de sonoplastia recriou os sons emitidos pelas criaturas pré-históricas através da criação de novos sons pela mistura de sons emitidos por animais existentes atualmente. Por exemplo, a cena de batalha entre o Spinossauro e o T-Rex é, com certeza, muito intensa: duas criaturas gigantes gritando e se cortando uma na outra para todos verem. Os técnicos procuraram um gravador de campo (técnico de som que grava sons de ambiente e de animais fora do estúdio de som) que gravou sons de abutres comendo um antílope na ilha de Madagascar, e Cathy Turco, uma experiente gravadora de sons naturais. Entre a violência dos sons dos abutres e o desespero do choro de um pequeno urso gravado por Cathy, foi projetado um som que tinha um final de tom médio a alto (quase agudo) acompanhado por formidáveis tons graves (sons "grossos").


Posted at 11:26 am by GRUPO1
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